segunda-feira, 23 de agosto de 2010


Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Ferreira Gullar



domingo, 22 de agosto de 2010

sou um monte confuso de forças cheias de infinito
tendendo em todas as direções para todos os lados do espaço,
a vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une
e faz com que todas as forças que raivam dentro de mim
não passem de mim, nem quebrem meu ser, não partam meu corpo,
não me arremessem, como uma bomba de Espírito que estoira
em sangue e carne e alma espiritualizados para entre as estrelas,
para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos.

Álvaro de Campos.
(Heterônimo Fernando Pessoa).

super sem ânimo, sem vontade...
só trancada no meu quarto assistindo curta-metragem, bebendo café, comendo Ruffles... essas coisas que pessoas desanimadas fazem... porém, acho que quando estou animada também faço isso.

Mas Enfim...

continuemos com a nossa vidinha besta que muitas vezes não é tão besta assim, mas a gente faz questão que seja besta e ponto.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010


a vida é uma sombra errante;
um pobre comediante que se pavoneia
no breve instante que lhe reserva a cena,
para depois não ser mais ouvido.
é um conto de fadas que nada significa,
narrado por um idiota
cheio de voz e fúria...

macbeth.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

"A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez."

Nietzsche.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Psicografia


Também eu saio á revelia
E procuro uma síntese nas demoras
Cato obsessões com fria têmpera e digo
Do coração: não soube e digo
Da palavra: não digo(não posso ainda acreditar
Na vida) e demito o verso como quem acena
E vivo como quem despede a raiva de Ter visto.


Ana C.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

... quando os meus olhos aflitos, perdidos no escuro que é o te amar...
que me invade e me perde, me confunde na imensidão do teu sonhar...
vou me matando, indefesa, no vazio de mim mesma.



[...] cairei no mar de sentimentos que esbanja o teu olhar.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

domingo, 1 de agosto de 2010

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Retrato.

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, asssim magro
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha essas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas.
Eu não tinha este coração que nem
se mostra.
Eu não dei por essa mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil.Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Cecília Meireles.