terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

"Eu gosto dos extremos, ou tenho pouco ou tenho muito, mas nunca a metade. Saboreio tudo com muita calma, mesmo o veneno, saboreio lentamente para não morrer de imediato. Tenho pensamentos tristes que não acompanham minha vontade de sorrir, de ser feliz... Minha fé jamais foi inabalável, tanto é que me questiono se realmente a possuo. A única certeza que tenho é da certeza que não existe, é do tempo que não sei aocerto se é eterno... As incertezas são de uma vida inteira, as lutas são constantes, as tristezas aparentemente invencíveis... e tudo por mimcalculado! Uma medida certa de sofrer, uma medida certa de amar, uma medida certa de não saber ao certo calcular intensidades, sentimentos, emoções. Quando me perco, não me encontro nunca mais. Acabo em outra realidade com outro pensamento e outra maneira ainda mais intensa de ser!"


"Enquanto repetia para si mesmo essa fórmula,
experimentava o sentimento radioso de ter mais uma vez se apossado
de um fragmento do mundo; de ter rasgado com seu bisturi imaginário
uma estreita fenda no véu infinito do universo."

Milan Kundera in "A insustentável Leveza do Ser".
"Era essa a essência de sua obsessão pelas mulheres. Não era obcecado pelas mulheres, era obcecado pelo que em cada uma delas havia de inimaginável, ou melhor, era obcecado por esse milionésimo que torna uma mulher diferente das outras. (Talvez sua paixão de cirurgião se juntasse aqui a sua paixão pelas mulheres. Não largava o bisturi imaginário, nem mesmo quando estava com suas amantes. Desejava apossar-se de algo profundamente escondido no interior delas, e para isso era preciso rasgar a camada superficial que as envolvia.)"

Milan Kundera in "A Insustentável Leveza do Ser."