quarta-feira, 18 de maio de 2011

"Assim, pois, eu afirmo que o Amor é dos deuses o mais antigo, o mais
honrado e o mais poderoso para a aquisição da virtude e da felicidade entre os
homens, tanto em sua vida como após sua morte."

"Assim é que o amar e o Amor não é todo ele belo e digno
de ser louvado, mas apenas o que leva a amar belamente".


O Banquete - Platão.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Caminhamos ao encontro do amor e do desejo.
Não buscamos lições, nem a amarga filosofia que se exige da grandeza.

Além do sol, dos beijos e dos perfumes selvagens, tudo o mais nos parece fútil.

Quando a mim, não procuro estar sozinho nesse lugar.

Muitas vezes estive aqui com aqueles que amava, e discernia em seus traços o claro sorriso que neles tomava a face do amor.

Deixo a outros a ordem e a medida.

Domina-me por completo a grande libertinagem da natureza e do mar.


Albert Camus.






E aqui está o começo da semana novamente...
Vem com ela bastante pressa e vem vontade de não levantar da cama.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Cansaço.



"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço..."

Álvaro de Campos
(Heterônimo Fernando Pessoa)

O Som do Silêncio.




Olá escuridão, minha velha amiga

Eu vim para conversar contigo novamente

Por causa de uma visão que se aproxima suavemente

Deixou suas sementes enquanto eu estava dormindo

E a visão que foi plantada em meu cérebro

Ainda permanece

Entre o som do silêncio

Em sonhos agitados eu caminho só

Em ruas estreitas de paralelepípedos

Sob a auréola de uma lamparina de rua

Virei meu colarinho para proteger do frio e umidade

Quando meus olhos foram apunhalados pelo lampejo de uma luz de néon

Que rachou a noite

E tocou o som do silêncio

E na luz nua eu vi

Dez mil pessoas talvez mais

Pessoas conversando sem falar

Pessoas ouvindo sem escutar

Pessoas escrevendo canções que vozes jamais compartilharam

Ninguém ousou

Perturbar o som do silêncio

"Tolos," eu disse, "vocês não sabem"

O silêncio como um câncer que cresce

Ouçam minhas palavras que eu posso lhes ensinar

Tomem meus braços que eu posso lhes estender"

Mas minhas palavras

Como silenciosas gotas de chuva caíram

E ecoaram no poço do silêncio

E as pessoas curvaram-se e rezaram

Ao Deus de néon que elas criaram

E um sinal faiscou o seu aviso

Nas palavras que estavam se formando

E o sinal disse, "As palavras dos profetas estão escritas nas paredes do metrô

E corredores de habitações"

E sussurraram no som do silêncio.


The Sound Of Silence

Simon & Garfunkel