quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Apenas um desabafo sobre as bolsas Estudos/Trabalho da UEM.

Muitos estudantes que conseguem uma vaga na Universidade vêm de muito longe para poderem estudar. Muitos deles acabam desistindo da vaga por causa dos custos que se tornam grandes e decidem fazer um curso particular na sua própria cidade onde os gastos saem mais baratos. Na Universidade Pública você não paga a mensalidade, mas, paga o aluguel, a luz, a internet, condomínio, água, gás, supermercado e obviamente precisa gastar com roupas, calçados e lazer. Numa Universidade como a UEM no município de Maringá, você tem duas opções: morar sozinho ou dividir com alguém ou várias pessoas. Morar sozinho deve ser o sonho de muitos estudantes, pois, muitos se instalam em repúblicas de gente que nem conhecem, mas, para este luxo as despesas não serão menos que 600,00 (este valor não conta com benefícios pro estudante, apenas com contas e comida). Ao dividir com alguém, este valor fica pela metade e muitos ainda optam por dividir com mais pessoas pra sair bem mais barato. O mais barato que se consegue, dividindo um lugar com mais três pessoas, um lugar simples, perto da UEM, fica em torno de 200,00 por mês.
A maioria das pessoas que estão ingressadas na Universidade, ou estudam integralmente ou no período da tarde, ou seja, fica muito difícil arrumar um emprego. Conseguir um trabalho já é difícil e mantê-lo é pior ainda, pois, como sabemos dentro da Universidade não tem moleza, temos que nos dedicar ao máximo que conseguimos e trabalhando o rendimento consequentemente cai bastante.
No entanto, as Universidades disponibilizam bolsas para seus acadêmicos e é a respeito de algumas que eu gostaria de comentar um pouco.
A bolsa PIBIC - Iniciação Científica, é a mais concorrida, para adquirir uma, o estudante deve passar por vários obstáculos. Primeiro é preciso escolher um tema no qual tenha-se interesse em ler, pesquisar e escrever, por exemplo em filosofia, pode-se escolher um tema sobre Estética, Filosofia Antiga, Lógica, etc. Com a orientação de um professor dessa área é feito um pré-projeto e uma iniciação científica sem bolsa na qual chamamos PIC. Depois de pronto, este projeto passa por uma rigorosa avaliação do CNPQ (o CNPQ que disponibiliza essas bolsas). Ao aluno exige-se:
- Este não pode ter nenhuma reprovação;
- Não pode ter mais que duas dependências.
Sem contar que eles tem que gostar muito do seu trabalho para investir nisso. Para os professores que orientam também existem exigências:
- O professor, pelo menos do departamento de Filosofia, tem que ser Doutor (Mestre não orienta);
- O professor tem que ter publicações recentes como artigos, textos, etc.
Depois de aprovado o projeto, o aluno passa a receber 350,00 por mês para apenas se dedicar a pesquisa, dentro de 2 anos ele vai receber esta quantia, vai melhorar e muito seu projeto o que pode acarretar num futuro mestrado e vai visitar várias outras Universidades para mostrar seu trabalho para outros estudantes. Tudo isso vai para o currículo do professor o que consequentemente faz dele um bom orientador e muitos outros estudantes procurarão por ele.
O aluno que consegue esta bolsa, ao se dedicar muito com ela, pode conseguir um bom mestrado e dar continuidade a sua carreira, porém, será que é justo com os demais estudantes que tem três dependências ou alguma reprovação? Eles não terão a chance de fazer um bom projeto com um bom orientador e competir com os demais as vagas de mestrado?
Se pensarmos é sim uma injustiça com esses estudantes, muitos precisam ralar muito para conseguir sua permanência em outra cidade e acabam ficando atrasados. Muitos tem que lidar com a depressão, a solidão e acabam desistindo e depois voltando. Muitos vieram de escolas públicas, nunca fizeram um cursinho e estao completamente perdidos dentro da Universidade, lugar onde tudo é muito rápido, onde existe muita competição, onde existe professores extremamente arrogantes que não estão nem aí pra história do aluno, apenas ensinam, aplicam suas provas e vão embora.
Outra bolsa bem concorrida é o PIBID - Iniciação á Docência. Esta bolsa é destinada aos estudantes de licenciatura, o trabalho consiste em acompanhar uma determinada escola e o professor de determinada disciplina e assim fazer um trabalho para melhorar as condições do ensino público. Esta bolsa paga 400,00 por mês, é de grande ajuda e prepara melhor os futuros professores que estão saindo da Universidade. Porém também tem seus defeitos, como é uma bolsa nova ainda existem muitas coisas para serem repensadas e melhoradas. Muitos dos bolsistas desse projeto estão lá apenas pelo dinheiro que a bolsa oferece e quase não desfrutam das coisas boas que são possíveis concretizar ali dentro. Muitos sonham com a Iniciação Cientifica, mas como não conseguem se enfiam na Iniciação a Docência, apenas para terem algo a mais no currículo, pois, percebe-se muito bem que este aluno não tem interesse nenhum em trabalhar numa sala de ensino médio.
O mais terrível ainda é o descaso de muitos professores que querem orientar seus alunos para um futuro mestrado, estão mais preocupados com as pesquisas, com as teses, com as bancas do que com a formação do professor do ensino médio. Um curso de licenciatura deve oferecer subsídios para formar um professor que vai dar uma aula, não necessariamente aula na Universidade, este pode querer sim dar suas aulas no ensino médio e quem sabe ajudar a acabar um pouco com a precariedade que está nosso ensino hoje.
Os critérios para obter essa bolsa consiste em uma seleção. São 21 bolsistas para cada curso de licenciatura, os que não tiverem reprovações e dependências estão no topo da fila. O aluno também não pode ser do primeiro ano.
E mais uma vez temos muitos estudantes excluídos.
A última bolsa na qual falarei é a Bolsa Trabalho. A UEM disponibiliza essas bolsas ao estudante, não sei se as demais Universidades do Paraná disponibilizam. Esta bolsa é realmente muito necessária para a ajuda do estudante, porém, na minha humilde opinião, não passa de uma vergonha.
No primeiro dia de aula, os alunos chegam bem cedo para formarem fila na frente do DCT, 4:00 da manhã já podemos ver estudantes por lá. A seleção é feita por ordem de chegada, existem poucas vagas, durante o ano eles vão ligando e chamando os interessados em trabalhar. Essa bolsa paga 300,00 por mês se você não faltar nenhum dia e se não houver feriados, se não, o valor cai.
O estudante que consegue essa bolsa não vai aprender nada sobre o seu curso, apenas vai fazer o trabalho chato que os funcionários não querem fazer, como andar durante quatro horas em baixo do sol quente entregando documentos. São cinco dias por semana das 7:30 às 11:40, muitos departamentos não permitem que o estudante estude nas horas sem movimento, não permitem que acessem a internet, nem atrasos e nem faltas, isso pode acarretar no desligamento da bolsa.
Ontem, no facebook, meus colegas estavam falando, indignados, sobre um possível corte dessas bolsas. A UEM não vai mais pagar a bolsa de 300,00 de muitos estudantes que, mesmo se sujeitando a este trabalho chato sem retorno nenhum, precisam muito dela.
Gostaria de ser otimista e pensar que todo esse dinheiro será revertido em bolsas de pesquisas, mas estou mais confiante é num corte enorme de verbas.
Como que a Universidade deseja crescer se ela não investe em seus alunos? Os cursos mais concorridos são tão bajulados, por que os demais cursos também não são? Por que será que os cortes sempre são no âmbito da Educação? Por que será que os salários dos políticos estão sempre mais altos?
Hoje a Universidade pode gabar-se por aí dizendo que é a melhor do Paraná, o curso de Medicina pode ser o melhor do Brasil, mas o que os estudantes que estão ali dentro realmente pensam passa longe disso. Os realmente interessados na Educação querem uma Universidade que seja para todos, mas a única coisa que ouvimos falar nesses últimos tempos são em cortes, cortes e mais cortes.
Como ficará, UEM, os muitos estudantes sem seus 300,00 pra custear suas despesas? Até quando, as bolsas de pesquisas e iniciação à docência serão tão poucas a ponto de ter que excluir tanta gente por causa de uma reprovação ou 3 dependências?
E os estudantes? Farão algo para que não cortem as bolsas trabalho? Farão algo para que os critérios do PIBIC/PIBID sejam repensados?
Eu estarei nessa luta, se você puder, lute também pela sua Universidade. Queremos estudar, fazer o melhor, mas, para isso também precisamos pagar as contas, precisamos comer, precisamos de arte, de lazer, todos querem ter um projeto, um orientador, não é justo tão poucos estudantes terem isso.

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