terça-feira, 1 de julho de 2014

Você que secou minhas palavras tristes escritas antes num papel qualquer, 
Você que não me viu flutuar como o som dum sax sobre a cidade de lugar à lugar sem encontrar algo que valha a pena nomear, 
você que lutou contra a vida, entre ela encontrou alguém para ajudar – teu olho bateu com o meu, teu sorriso falso na minha boca, 
você que me suportou seis vezes por semana bêbado e no sétimo a ressaca – e agora o baseado é sempre para dois,
você que provou através dos olhos que até no tudo se encontra o nada e vice-versa,
a poesia é meu corpo tanto quanto a cerveja no copo, tanto quanto o pouco que considero louco por não ser maior:
Queria eu lembrar tudo o que vejo,
queria eu saber o que estou falando –
Queria eu subir ao céu e descer ao inferno e escutar a paranóia em teu ouvido calado, minha lingua um verme enrolado em teu pescoço,
– Não prometo bom caminho na sequência de passos dos meus pés, no arrastar de sandálias
– sem profecias neste poema – sem perigo esse tiro
de cocaína.

Eu inspiro, e expiro o espírito então.

[ por Pedro Poker ]