quarta-feira, 28 de julho de 2010

Abismo.

então, de repente, você teria se voltado para ela,
perguntando das possibilidades de chuva e inundação.
ela seguiria pisando os paralelepípedos emersos,
sem perder o equilíbrio. e você quereria ouvir
o que o futuro lhe reservava naquela noite.

depois de tomarem banho e conseguirem uma cama seca,
sairiam- regressando pelo mesmo caminho,
até avistarem o lugar morno e iluminado. sentariam
junto à porta, pediriam vinho, peixe e pão, como num ritual.

quando a luz apagasse, vocês já teriam comido e relembrado
coisas antigas, viagens recentes e desejos. a chuva cairia forte
outra vez, refrescando o sufoco da noite.

cada traço do rosto dela estaria iluminado sob a luz
dos relâmpagos. a cada clarão, um outro jeito a confundir
seus gestos: de dor, de tristeza. ou uma alegria distante.

ela, por sua vez, veria apenas um contorno de corpo
recortado contra o fundo da porta. lá fora ela veria
o céu iluminado pelos raios, a torre da igreja,
as telhas brilhando.

a cada pausa, ela teria outras formas de pedir descanso
da loucura que estava sendo viver.
você, como sempre, perderia a paciência: ao invés de
reparar na magia, sentiria um ódio quase
incontrolável da situação.

e aí, entre vocês, estaria instalado o abismo.
Veronika Paulics - in Cães da Memória.






terça-feira, 27 de julho de 2010

"Cometeria suicídio traquilamente
se eu mesmo pudesse depois limpar a casa,
vestir o cadáver, atender as visitas,
consolar os íntimos,
ir ao enterro e voltar sozinho e conciliado,
livre de mim e pronto para outra."

Fernando Pessoa.

Delírios

Tento resgatar algum equilíbrio
Que de certa maneira não possuo mais.
Explosão de ansiedade, misto de insegurança...
Em qual lugar do mundo a minha sanidade se perdeu?
Das lembranças de quem hoje se faz ausente,
Tirei delas a dor e a canção
Arrastando-as por um só cordão.

Da morte, da vida e da solidão
Me lancei a própria sorte
Quando me sangraram o coração...

Ah se meus delírios já não me enganassem mais,
com a vã esperança do reencontro.
Muito peço para que me deixem em paz.

E o meu canto triste
se repete ao anoitecer
quando as estrelas saem para nos ver...
Ele reflete angústias sim, porém,
Mergulha-se profundamente em saudades.


Pequena Lágrima Atenta

Esse rosto na sombra, esse olhar na memória,
o tempo do silêncio, oa braços da esperança,
uma rosa indefesa - e esse vento inimigo.
Ficou somente a luz do constante deserto,
e o sobrenatural reino obscuro do vento,
com seu povo indistinto a carpir noutro idioma.
Ideias de saudade em tal paisagem morrem.
Que arroio pode haver, de contínuos espelhos,
a repetir o que é deixado?
Por devota, solidária ternura e aceitação da angústia?
- Ah, deixarei meu nome entre as antigas mortes.
Só nessas mortes pode estar meu nome escrito.

Cecília Meireles

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Magnificat - Álvaro de Campos


MAGNIFICAT

Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará este drama sem teatro,
Ou este teatro sem drama,
E recolherei a casa?
Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida,
Quem tens lá no fundo?!
É esse! É esse!
Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;
E então será dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma: será dia!

Álvaro de Campos

Heterônimo Fernando Pessoa.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Alice em: dor.

Quanto de dor será possível caber em um só coração?
Deve ser incalculável ... O coração sangrando ...
Ai parece-me um abismo fundo que está logo atrás de mim apenas esperando que eu me deite, e mergulhe nele para sempre...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Alice querendo amar...

E estou lá, mais uma vez andando sem rumo.
Parecendo Hippie sem parada, sem estada, sem morada.
Parecendo coração sem paixão, tempestade sem trovão,
vários minutos de inconsciência deitada neste chão.
E o único caminho que tenho me perdido sempre, é o caminho dos teus olhos,
com brilho, com amor, me fazendo perder as chances de ser encontrada.
E a única coisa que tenho desejado, andando nesta rua sem luz, alagada pela chuva, sem nenhum carro a passar, é, quem sabe ali na esquina, te encontrar, eu só queria ter a chance de te falar, que o meu sentimento hoje é maior até que o mar e quando eu acho que nele eu vou me afundar vem a realidade e me tira dos inevitáveis transes temporários que sempre me encontro.
Como este, que me deu a sensação de outro lugar, buscando te encontrar quem sabe não tão longe do meu mundo.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Só de Sacanagem - Ética

Vídeo de uma Poesia, declamada pela cantora Ana Carolina.
Usei na minha aula sobre ética. Muito bom.

obs: dá pra usar em aula de política também.


sexta-feira, 25 de junho de 2010

Liniers Macanudo - Enriqueta e Fellini

Pra ver melhor é só clicar na imagem ;D




















As Rosas

Quando a noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das primaveras,
a doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.

Sophia Mello.
"sou forte mas também destrutiva.
autodestrutiva. e quem é autodestrutivo também destrói os outros.
estou ferindo muita gente." [C.L.]


segunda-feira, 31 de maio de 2010

amigos íntimos.

Eu nunca fiz amigos tentando ser interessante. Todos os amigos mais íntimos que fiz foi porque me interessei verdadeiramente por eles. Me interessei pelo que doía, pelo que o fazia gargalhar, pela forma como banalizava histórias tristes, pelo jeito com que dramatizava fatos aparentemente banais...Todo mundo quando descobre certa receptividade no outro abre seu coração com tamanha generosidade, que fica difícil não fazer o mesmo. Porque a escolha é sempre nossa. A gente se abre, o outro percebe e se abre simultaneamente sempre nessa expectativa do encontro. E quando flui, tudo nos parece mágico. Mas depois vem o que fazemos com tanta informação, com aquela confissão, com aquele momento de entrega. É isso que vai solidificar o que quer que tenha começado. E quando isso não é um dom, é um exercício.

Caio F.


domingo, 30 de maio de 2010

Alice e os abismos.
A
vida é feita de vários abismos...
Alguns pequenos, outros maiores, outros extremamente fundos...
Porém, quando cair dentro de um desses abismos, aproveite para refletir e pensar se quer mesmo voltar para a superfície ou se quer continuar lá, quieta, sozinha, no escuro... MAS EM PAZ!
Até hoje eu sempre acabei voltando para a superfície, pois, um ser humano como eu sente muitas saudades de pessoas e dos lugares... Mas sempre acabo caindo de novo lá embaixo... Sempre.
Na verdade, quando me perco e não sei voltar, é lá que eu me escondo até eu me encontrar novamente
.


terça-feira, 25 de maio de 2010

nuvens de saudade

É tão grande a tristeza que eu sinto pois, não tive a oportunidade de passar mais tempo ao seu lado pelo fato do destino ter desviado muitos caminhos até então...
Porém, os momentos que passamos juntos de amizade, de loucura, de disputar quem gostava mais de nirvana na cidade, hahahaha, foram ótimos...
Espero que você esteja bem agora, mesmo que todos conspirem a favor de não existir mais nada além da vida, algo dentro de mim faz com que eu não acredite nisso... Você se foi de uma maneira drástica que deixou a todos espantados e muito tristes... Só agora pude entender o motivo da sua ida, da sua perturbação... Não se perca na escuridão, procure pela luz... pela paz de espírito que você merece... E eu tenho certeza que você encontrará...
Nunca imaginei passar por uma coisa dessas na minha vida... é estranho pensar que você não está mais entre nós... fazia tempo que não nos falamos mas eu o tinha no pensamento sempre e agora ainda mais... vou me lembrar apenas dos momentos legais, dos nossos tubão no horto, rsrsrs! De quando matávamos aula pra conversar e quando juntávamos, eu, você e o tchearck pra tocar violão e beber... ouvir nirvana e falar sobre isso... cantar no altas quando colocavam música deles...
Vai em paz Neri! Ficaremos aqui também aguardando a nossa hora, pensando em você.