terça-feira, 14 de junho de 2011

Meio da vida
Com peras amarelas
E repleta de rosas silvestres
A terra estende-se por cima do lago,
Vós graciosos cisnes!
E embriagados de beijos
Molhais a cabeça
Na sagrada e sóbria água.

Pobre de mim ! onde irei buscar
Quando for Inverno, as flores e
Onde o brilho do Sol
E as sombras da terra ?
Frios e mudos,
os muros erguem-se;
ao vento, as bandeiras tilintam.

Holderlin

sábado, 11 de junho de 2011


”Se alguém perguntar quem foi
Antígona, que respondam, foi
aquela que morreu ante de
Tebas.”



Livro em PDF. Antígona - Sófocles.
http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/antigone.pdf

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Do amor e fascínio pelas tragédias gregas...


"Sendo assim, até o dia fatal de cerrarmos os olhos
não devemos dizer que um mortal foi feliz de verdade
antes dele cruzar as fronteiras da vida inconstante
sem jamais ter provado o sabor de qualquer sofrimento!"

(Édipo Rei, vv. 1807-1810).
CANTO DE AGONIA

Agonia de amor, agonia bendita!
- Misto de infinita mágoa e de crença infinita.
Nos desertos da Vida uma estrela fulgura
E o Viajeiro do Amor, vendo-a, triste, murmura:
- Que eu nunca chore assim! Que eu nunca chore como
Chorei, ontem, a sós, num volutuoso assomo,
Numa prece de amor, numa delícia infinda,
Delícia que ainda gozo, oração, prece que ainda
Entre saudades rezo, e entre sorrisos e entre
Mágoas soluço, até que esta dor se concentre
No âmago de meu peito e de minha saudade.
Amor, escuridão e eterna claridade...
- Calor que hoje me alenta e há de matar-me em breve,
Frio que me assassina, amor e frio, neve,
Neve que me embala como um berço divino,
Neve da minha dor, neve do meu destino!
E eu aqui a chorar nesta noite tão fria!
Agonia, agonia, agonia, agonia!
- Diz e morre-lhe a voz, e cansado e morrendo
O Viajeiro vai, e vê a luz e vendo
Uma sombra que passa, uma nuvem que corre,
Caminha e vai, o louco, abraça a sombra e... morre!
E a alma se lhe dilui na amplidão infinita...
Agonia de amar, agonia bendita!


Augusto dos Anjos.
A Dor.

Chama-se a Dor, e quando passa, enluta
E todo mundo que por ela passa
Há de beber a taça da cicuta
E há de beber até o fim da taça!

Há de beber, enxuto o olhar, enxuta
A face, e o travo há de sentir, e a ameaça
Amarga dessa desgraçada fruta
Que é a fruta amargosa da Desgraça!

E quando o mundo todo paralisa
E quando a multidão toda agoniza,
Ela, inda altiva, ela, inda o olhar sereno

De agonizante multidão rodeada,
Derrama em cada boca envenenada
Mais uma gota do fatal veneno.

Augusto dos Anjos.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Será que os indivíduos definem a sociedade (Weber), ou a sociedade que define os indivíduos (Durkheim)?

quarta-feira, 18 de maio de 2011

"Assim, pois, eu afirmo que o Amor é dos deuses o mais antigo, o mais
honrado e o mais poderoso para a aquisição da virtude e da felicidade entre os
homens, tanto em sua vida como após sua morte."

"Assim é que o amar e o Amor não é todo ele belo e digno
de ser louvado, mas apenas o que leva a amar belamente".


O Banquete - Platão.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Caminhamos ao encontro do amor e do desejo.
Não buscamos lições, nem a amarga filosofia que se exige da grandeza.

Além do sol, dos beijos e dos perfumes selvagens, tudo o mais nos parece fútil.

Quando a mim, não procuro estar sozinho nesse lugar.

Muitas vezes estive aqui com aqueles que amava, e discernia em seus traços o claro sorriso que neles tomava a face do amor.

Deixo a outros a ordem e a medida.

Domina-me por completo a grande libertinagem da natureza e do mar.


Albert Camus.






quarta-feira, 4 de maio de 2011

Cansaço.



"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço..."

Álvaro de Campos
(Heterônimo Fernando Pessoa)

O Som do Silêncio.




Olá escuridão, minha velha amiga

Eu vim para conversar contigo novamente

Por causa de uma visão que se aproxima suavemente

Deixou suas sementes enquanto eu estava dormindo

E a visão que foi plantada em meu cérebro

Ainda permanece

Entre o som do silêncio

Em sonhos agitados eu caminho só

Em ruas estreitas de paralelepípedos

Sob a auréola de uma lamparina de rua

Virei meu colarinho para proteger do frio e umidade

Quando meus olhos foram apunhalados pelo lampejo de uma luz de néon

Que rachou a noite

E tocou o som do silêncio

E na luz nua eu vi

Dez mil pessoas talvez mais

Pessoas conversando sem falar

Pessoas ouvindo sem escutar

Pessoas escrevendo canções que vozes jamais compartilharam

Ninguém ousou

Perturbar o som do silêncio

"Tolos," eu disse, "vocês não sabem"

O silêncio como um câncer que cresce

Ouçam minhas palavras que eu posso lhes ensinar

Tomem meus braços que eu posso lhes estender"

Mas minhas palavras

Como silenciosas gotas de chuva caíram

E ecoaram no poço do silêncio

E as pessoas curvaram-se e rezaram

Ao Deus de néon que elas criaram

E um sinal faiscou o seu aviso

Nas palavras que estavam se formando

E o sinal disse, "As palavras dos profetas estão escritas nas paredes do metrô

E corredores de habitações"

E sussurraram no som do silêncio.


The Sound Of Silence

Simon & Garfunkel

quinta-feira, 14 de abril de 2011


"Eu me percebo cada vez mais diferente da maioria, cada vez mais destoante do todo, cada vez mais distante do óbvio, cada vez mais dona de mim..."

Aurélia Vasconcelos.



sexta-feira, 8 de abril de 2011

Mas queria que você entendesse os meus poços escuros, os meus becos — que me fazem mergulhar em silêncios às vezes longos.

Caio F.





terça-feira, 8 de fevereiro de 2011



"Enquanto repetia para si mesmo essa fórmula,
experimentava o sentimento radioso de ter mais uma vez se apossado
de um fragmento do mundo; de ter rasgado com seu bisturi imaginário
uma estreita fenda no véu infinito do universo."

Milan Kundera in "A insustentável Leveza do Ser".
"Era essa a essência de sua obsessão pelas mulheres. Não era obcecado pelas mulheres, era obcecado pelo que em cada uma delas havia de inimaginável, ou melhor, era obcecado por esse milionésimo que torna uma mulher diferente das outras. (Talvez sua paixão de cirurgião se juntasse aqui a sua paixão pelas mulheres. Não largava o bisturi imaginário, nem mesmo quando estava com suas amantes. Desejava apossar-se de algo profundamente escondido no interior delas, e para isso era preciso rasgar a camada superficial que as envolvia.)"

Milan Kundera in "A Insustentável Leveza do Ser."